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10 exercicios abdominais que todos podem fazer

Mulher faz exercício de prancha em casa, usando um tapete de ioga, enquanto grava com telemóvel em tripé.

O que “trabalhar o core” realmente significa (e por que torna tudo mais fácil)

O abdómen “denuncia” rapidamente quando falta controlo: lombar a arquear, costelas a abrir, ombros a subir, respiração presa. Treinar core com utilidade não é colecionar repetições - é conseguir estabilidade e coordenação do tronco, sem dor, para o corpo fazer o resto (correr, carregar sacos, subir escadas, empurrar/rodar sem “puxar” da lombar).

O core não é só o “six-pack”. Inclui músculos profundos à volta do tronco e da bacia que estabilizam a coluna e ajudam a transferir força. Quando estão fracos ou fatigados, o corpo compensa: extensão lombar, tensão no pescoço e respiração curta. Por isso, aqui o foco é sobretudo anti-extensão (não deixar a lombar arquear) e anti-rotação (não deixar o tronco torcer).

Não precisa de máquinas nem de centenas de crunches. Precisa de consistência, boa técnica e progressões simples - para treinar hoje e conseguir voltar amanhã.

Antes de começar: duas regras que evitam dores

  • Respire e use a expiração para “travar” o tronco. Inspire pelo nariz; na parte mais exigente, expire lentamente e sinta as costelas a descer. Pense em “apertar” 20–30% (tensão moderada), não em encolher a barriga. Evite prender o ar (a manobra de Valsalva pode aumentar a pressão arterial, sobretudo em quem já tem tensão alta).
  • Dor aguda é sinal de parar. Procure esforço no abdómen/oblíquos/glúteos, não pontadas na lombar ou no pescoço. Se houver formigueiro, dor a irradiar (perna/braço), perda de força, ou dor que piora após o treino, procure avaliação (médico/fisioterapeuta).

Frequência prática: 2–3x/semana para começar. Se já treina, use como bloco de 8–12 minutos no fim. Regra simples: termine cada série com controlo - se a técnica “desmonta”, pare ali (mesmo que ainda “aguente”).

10 exercícios abdominais que quase toda a gente consegue fazer

1) Respiração 360º (com brace suave)
Deite-se com joelhos fletidos e mãos nas costelas. Inspire “para os lados e para trás”. Ao expirar, feche ligeiramente o abdómen baixo (como um fecho éclair) e deixe as costelas descerem. Se os ombros sobem, reduza a intensidade e abrande a expiração.

2) Inclinação pélvica (posterior) no chão
Na mesma posição, encontre a coluna neutra e depois encoste a lombar ao chão sem forçar. Movimento pequeno e lento, como quem “afina” a bacia. Se sentir cãibra nos flexores da anca, diminua a amplitude e volte a focar a expiração.

3) Dead bug (versão fácil)
Braços ao teto, joelhos a 90º. Toque um calcanhar no chão alternando, mantendo costelas para baixo e lombar estável. Se a lombar levantar, encurte o alcance (calcanhar toca mais perto) e faça mais devagar.

4) Ponte glútea com expiração
Eleve a bacia, segure 2–3 s e expire para controlar as costelas. Pense em empurrar o chão com os calcanhares e manter a pélvis “pesada” (sem rodar). Evite subir tanto que a lombar volte a arquear.

5) Bird-dog (quadrúpede)
Em quatro apoios, estenda braço e perna opostos sem rodar a anca. Pense em alcançar (comprimento) e não em levantar alto. Uma pausa curta (1–2 s) no fim ajuda a consolidar a estabilidade.

6) Prancha inclinada (mãos num banco/mesa)
Corpo em linha, glúteos ativos, queixo neutro. Comece alto (mesa) e vá baixando (banco/sofá firme) quando consegue manter costelas “fechadas” e lombar neutra. Regra útil: prefira 10–30 s bem feitos a 60 s a compensar.

7) Prancha lateral com joelhos no chão
Cotovelo por baixo do ombro, joelhos fletidos, ancas sobem. Deve sentir oblíquos e glúteo lateral sem “esmagar” a lombar. Mantenha o tronco longo e o ombro ativo (não colapse).

8) Marcha de glúteo (ponte com alternância)
Em ponte, levante um pé de cada vez lentamente. Objetivo: bacia quieta, sem balançar. Se a lombar entra, baixe ligeiramente a altura da ponte e diminua a velocidade.

9) Elevação de joelho sentado (controlo, não balanço)
Na beira de uma cadeira, segure ao lado do assento. Eleve um joelho de cada vez com expiração, sem “se atirar” para trás. Para progredir: dois joelhos juntos por 1–2 s, com ombros relaxados e sem encolher o pescoço.

10) Pallof press (com elástico)
Elástico preso de lado num ponto fixo muito sólido (evite maçanetas/apoios instáveis). Traga as mãos ao peito e empurre à frente resistindo à rotação, como se alguém tentasse virar o seu tronco. Afaste-se para aumentar a tensão, mas sem torcer nem “fugir” com as costelas.

Um bloco rápido (8 minutos) para fazer em casa

Escolha 4 exercícios e faça 40 s trabalho + 20 s descanso, por 2 voltas. Interrompa a série assim que perder a posição das costelas/lombar (qualidade > tempo).

Uma combinação equilibrada: dead bug + prancha inclinada + bird-dog + prancha lateral (joelhos). Num dia mais “pesado” (muita carga/pressão na lombar), troque a prancha por respiração 360º e inclinação pélvica.

Objetivo Exercícios que ajudam Sinal de que está no caminho certo
Estabilidade lombar Dead bug, bird-dog, Pallof press Lombar quieta, movimento controlado
Postura e controlo das costelas Respiração 360º, prancha inclinada Pescoço relaxado, costelas descem
Força lateral (oblíquos) Prancha lateral, Pallof press Menos “abanar” da bacia

Pequenos erros comuns (e como corrigir sem drama)

Se sente o pescoço na prancha, normalmente é cabeça projetada e ombros “desligados”. Olhe ligeiramente à frente, mantenha o queixo neutro e empurre o chão com as mãos/antebraços (ombros longe das orelhas).

Se sente a lombar no dead bug, a correção mais rápida é reduzir a amplitude e abrandar: calcanhar toca mais perto do corpo, expiração mais longa, costelas para baixo. Boa forma com menos movimento ganha sempre à “mais reps” com compensação.

FAQ:

  • Qual é o melhor exercício abdominal para iniciantes? Respiração 360º e dead bug (versão fácil). Ensinam controlo do tronco e costumam ser amigos da lombar.
  • Quantas repetições devo fazer? Use tempo: 20–40 s por série com técnica limpa. Comece com 2 séries; progrida com +5–10 s ou +1 série antes de “complicar” o exercício.
  • Posso fazer abdominais todos os dias? Trabalho leve de controlo (respiração, inclinação pélvica) pode ser quase diário. Pranchas, marchas e Pallof press tendem a resultar melhor com 2–4x/semana.
  • E se eu tiver dor lombar? Evite o que agrava e privilegie estabilidade (dead bug curto, bird-dog, Pallof press). Se a dor for aguda, persistente ou irradiar, procure um fisioterapeuta.
  • Isto ajuda a “perder barriga”? Fortalece e melhora postura e controlo, mas a gordura abdominal depende do conjunto (alimentação, sono, atividade diária e treino global). Um core mais forte costuma melhorar conforto e “forma” ao mover-se.

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