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Adeus à fritadeira de ar, chega um novo aparelho de cozinha tudo-em-um que oferece nove métodos de cozinhar, muito além da fritura tradicional.

Cozinha moderna com panela elétrica a vapor, tabuleiro de pães e tábua com legumes frescos sendo preparados.

A air fryer na minha bancada tem uma mossa de um lado e um autocolante a descolar da pega. Está ali há três anos, a zumbir como um animal de estimação leal e ligeiramente barulhento. Batatas fritas congeladas, frango para noites de semana, fatias de pizza reaquecidas que, de alguma forma, sabem melhor do que as entregas - aguentou tudo sem se queixar.

Depois, uma amiga entrou com uma caixa do tamanho de um micro-ondas pequeno e disse apenas: “Depois disto, não voltas a tocar nessa air fryer.”

Ela não estava a brincar totalmente. E foi aí que me apercebi de algo ligeiramente desconfortável. A air fryer que parecia revolucionária há alguns anos, de repente, parecia… básica.

De estrela de função única a bancada sobrelotada

A primeira vaga de air fryers parecia magia. Menos óleo, menos confusão, comida estaladiça a pedido. Para quem anda a equilibrar trabalho, crianças, entregas e aquela vaga ideia de “comer melhor”, era um pequeno milagre dentro de uma carcaça de plástico.

Agora, a cozinha parece diferente. As bancadas estão cobertas de gadgets: air fryer, panela de cozedura lenta, panela de arroz, torradeira, liquidificador, máquina de pão. Um para cada vontade e espaço zero para cortar uma cenoura. Uma nova máquina tudo‑em‑um aterra no meio desse caos e pergunta, em silêncio: “Porque é que estás a guardar isto tudo?”

Imagina a cena. Um aparelho compacto, mais ou menos do tamanho de uma máquina de pão grande, mas com nove modos: fritar a ar, cozinhar a vapor, cozinhar sob pressão, cozedura lenta, assar, saltear, grelhar, reaquecer, até sous‑vide. Uma tampa, uma panela, um painel de controlo que parece o tablier de um carro - mas mais simpático.

Pões lombos de salmão numa grelha pequena, deitas um pouco de água por baixo, tocas em “vapor + estaladiço a ar” e, vinte minutos depois, tens aquela combinação impossível: suculento por dentro, estaladiço por fora. Sem frigideira, sem salpicos de óleo, sem pré‑aquecer o forno durante meia hora. Pela primeira vez, não precisas de três aparelhos diferentes a disputar uma tomada.

O que está a acontecer aqui não é apenas um brinquedo novo para geeks da comida. É o fim silencioso da air fryer como número a solo. Quando um único aparelho cozinha arroz, coze grão‑de‑bico sob pressão, grelha legumes, aquece sobras sem as secar e ainda faz as clássicas batatas “fritas” a ar, a máquina de “só batatas e nuggets” começa a parecer uma relíquia.

E as marcas sabem disso. O marketing mais recente já não grita apenas “estaladiço sem óleo”. Sussurra coisas como “refeições numa só panela”, “cozinhar em camadas”, “programar e esquecer”. Não está a vender crocância; está a vender tempo e bancadas desimpedidas.

Nove modos, uma panela e uma mudança silenciosa de hábitos

O verdadeiro poder destas cozinhas tudo‑em‑um está na forma como empilham funções. Podes começar por saltear cebola diretamente na panela, juntar lentilhas e caldo, cozinhar sob pressão durante dez minutos e terminar com um grelhado rápido para alourar uma cobertura de queijo. Uma taça, uma colher, nenhuma panela a ficar de molho no lava‑loiça a noite toda.

Para as noites de semana, isto muda o guião. Em vez de pensares “O que é que consigo meter na air fryer?”, a pergunta passa a ser “O que é que consigo montar em camadas na panela para o jantar se fazer sozinho?” Cozinhar transforma‑se numa sequência de pequenos toques num ecrã, em vez de quatro bicos do fogão a funcionar ao mesmo tempo. Um pouco menos de drama, muito mais controlo.

Pensa numa terça‑feira típica num apartamento pequeno. Um casal chega tarde a casa, com fome e ligeiramente mal‑humorado. Na rotina antiga, enfiavam comida congelada na air fryer e davam o dia por terminado, depois com um certo sentimento de culpa. Desta vez, deitam arroz e água no fundo da panela, colocam um tabuleiro de coxas de frango temperadas e brócolos numa grelha por cima e definem um programa em duas fases: vapor e depois fritar a ar.

A máquina cozinha o arroz suavemente por baixo enquanto cozinha a vapor os legumes e a carne e, depois, termina com uma rajada de calor seco para estalar a pele. Vinte e cinco minutos depois, tens uma refeição completa que parece que alguém se esforçou. A air fryer, sozinha, nunca conseguiria gerir essas camadas. Este aparelho não está apenas a fazer uma coisa mais depressa; está a coordenar várias coisas ao mesmo tempo.

Do ponto de vista prático, isso é enorme. Deixas de precisar de três temporizações diferentes na cabeça - forno para o assado, frigideira para o molho, panela para o acompanhamento. A máquina torna‑se uma espécie de sous‑chef, a orquestrar calor e humidade. Essa é a revolução silenciosa escondida por trás daqueles nove pequenos ícones no painel de controlo.

E sim, há uma curva de aprendizagem. Menus, predefinições, multi‑passos: ao início, parece programar uma máquina de lavar. Mas o nosso cérebro já está treinado para isto por causa dos telemóveis e das apps. Depois de repetires algumas receitas, a memória muscular entra em ação e esses nove modos deixam de parecer “funcionalidades”. Começam a parecer hábitos.

Como usar, de facto, os nove modos sem enlouquecer

O segredo é deixares de tratar o aparelho como uma “máquina” e começares a vê‑lo como zonas de calor. Pensa em três movimentos principais: húmido, seco e suave. Húmido é vapor e pressão; seco é fritar a ar, assar e grelhar; suave é cozedura lenta, reaquecer, sous‑vide.

Não precisas de dominar tudo no primeiro dia. Começa com receitas em dois passos. Por exemplo: cozinhar feijão sob pressão durante 15 minutos, depois abrir a tampa, regar com azeite e pão ralado e terminar no grelhador. Ou cozinhar frango a vapor e, em seguida, mudar para fritar a ar para pele estaladiça. Quando essas combinações começarem a parecer normais, o resto são apenas variações da mesma dança.

A maioria das pessoas cai na mesma armadilha que tinha com a air fryer: usar apenas um ou dois modos para sempre. Já todos passámos por isso - aquele momento em que compras um aparelho “inteligente” e acabas preso ao único botão grande no meio. Aqui existe o mesmo risco.

Sejamos honestos: ninguém percorre, todos os dias, as receitas do manual. Por isso, adaptas‑te. Escolhe três heróis do dia a dia - por exemplo, “pressão + grelhar” para guisados, “vapor + fritar a ar” para proteínas, “reaquecer” para sobras - e encaixa-os na tua rotina. O resto vais descobrindo devagar, sem a pressão de “usar todas as funcionalidades ou sentir culpa pelo dinheiro gasto”.

“As pessoas entram a dizer que compraram uma panela nove‑em‑um e só a usam para reaquecer batatas fritas”, ri‑se Sophie, uma economista doméstica que testa eletrodomésticos profissionalmente. “Quando lhes mostro como cozinhar arroz, legumes e carne em camadas, de uma só vez, dá para ver literalmente os ombros a descer. Não era o gadget que era complicado. Eram os nossos hábitos que estavam presos no ‘modo air fryer’.”

  • Começa com refeições completas numa só panela - arroz ou cereais no fundo, legumes e proteína numa grelha, a terminar com um ciclo de estaladiço.
  • Usa vapor e sous‑vide para alimentos delicados como peixe ou peito de frango e termina com um grelhado rápido para dar cor.
  • Reserva o modo clássico de fritar a ar para snacks e acompanhamentos rápidos, não para jantares principais.
  • Mantém um pequeno caderno (ou nota no telemóvel) com os teus tempos preferidos para não dependeres do “olhómetro” todas as vezes.
  • Aceita algumas tentativas imperfeitas; este aparelho recompensa a repetição, não a perfeição no primeiro dia.

Um adeus à air fryer a solo - e o que a substitui

A air fryer não vai desaparecer de um dia para o outro. Vai continuar em milhões de cozinhas, a fazer o seu trabalho para snacks congelados e jantares de última hora. Mas o seu reinado como estrela da “cozinha fácil” está a desvanecer. Quando uma máquina, em silêncio, assume nove papéis de cozedura, os gadgets de um só truque começam a parecer volumosos, mesmo que sejam pequenos.

Algumas pessoas vão manter ambos durante algum tempo. Outras vão sentir um alívio estranho ao doar a fritadeira antiga e recuperar um pouco de espaço na bancada. Isso não é só sobre tecnologia. É sobre a forma como imaginamos as nossas noites: menos malabarismo, mais espaço para respirar, menos cabos, cestos e tachos para lavar.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Flexibilidade multi‑modo Nove métodos de cozedura num único aparelho (de vapor a grelhar) Substitui vários eletrodomésticos, poupa dinheiro e espaço
Refeições em camadas numa só panela Cozinhar cereais, proteína e legumes em conjunto, por etapas Reduz a loiça, encurta a preparação e continua a saber a “caseiro”
Curva de aprendizagem suave Começar com 2–3 combinações favoritas de modos e expandir aos poucos Menos stress, mais probabilidade de usar realmente todas as funcionalidades

FAQ:

  • Pergunta 1 O aparelho tudo‑em‑um substitui mesmo a minha air fryer?
  • Resposta 1
  • Pergunta 2 A comida continua tão estaladiça como numa air fryer clássica?
  • Resposta 2
  • Pergunta 3 Vale a pena fazer upgrade se eu cozinho sobretudo para uma pessoa?
  • Resposta 3
  • Pergunta 4 Um aparelho nove‑em‑um consome muito mais energia?
  • Resposta 4
  • Pergunta 5 O que devo cozinhar primeiro para me habituar a todos os modos?
  • Resposta 5

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