A mulher na cadeira tinha 67 anos, batom aplicado com cuidado e aquele tipo de casaco que se guarda para “boas ocasiões”. Sentou-se, suspirou e disse à cabeleireira: “Faça só o habitual. Curto, prático… sabe, para a minha idade.” A cabeleireira fez uma pausa, levantou uma madeixa do seu cabelo grisalho e mais ralo e perguntou com doçura: “E se nos esquecêssemos do ‘para a minha idade’ por um segundo… o que é que você gostava mesmo?”
À volta, os secadores zumbiam, as tesouras estalavam, e as revistas estavam abertas em fotografias de mulheres na casa dos sessenta que pareciam luminosas, despertas, quase traquinas. Não rígidas. Não datadas.
A stylist virou a cadeira para o espelho, telemóvel na mão.
“Deixe-me mostrar-lhe o corte que muda tudo depois dos 60”, disse baixinho.
É aí que começa, a sério, a conversa sobre o corte de cabelo mais rejuvenescador.
O corte em que os cabeleireiros confiam discretamente depois dos 60
Pergunte a dez cabeleireiros profissionais que corte “retira” mais anos visuais quando se chega aos 60, e um número surpreendente sussurra a mesma resposta: um bob moderno, ligeiramente repicado, com movimento. Não o bob rígido, em “capacete”, dos anos 80. Mas um bob suave, leve, que emoldura o rosto e cai algures entre a linha do maxilar e a clavícula.
Revela o pescoço sem expor demasiado. Limpa a linha do maxilar, aligeira os traços e dá espaço ao rosto para “respirar”. Visto de perfil, cria uma curva delicada, não um bloco rígido. Esse movimento é o que grita vitalidade.
Este é o corte que muitas vezes substitui o pedido “corte curto que já estou a ficar mais velha”. E transforma-o.
Um stylist parisiense contou-me sobre uma cliente de 72 anos que chegou com uma “permanente de avó” muito clássica: caracóis apertados, cabelo armado uma vez por semana, fixado com laca até à submissão. Usava o mesmo estilo há vinte anos. A neta tinha-lhe pedido, com carinho: “Avó, por favor, experimente só algo diferente.”
Concordaram num bob repicado do queixo à clavícula, com um ligeiro desbaste nas pontas e uma risca ao lado suave. Quando o stylist cortou o último vestígio da velha permanente, a mulher ficou em silêncio. Quando acabou de secar com escova, ela passou os dedos pelo cabelo e riu-se. “Pareço a minha irmã aos 50”, disse.
Ao sair, marcou um jantar num restaurante “porque não vou para casa com um cabelo destes e ficar só a ver televisão”.
Porque é que este bob, ligeiramente repicado e com vida, costuma parecer mais jovem do que um cabelo ultra-curto ou muito comprido em muitas mulheres com mais de 60? Porque a juventude não tem apenas a ver com comprimento - tem a ver com energia. Movimento no cabelo sugere saúde, flexibilidade, curiosidade.
Cortes muito curtos podem ficar arrojados em algumas pessoas, mas noutras endurecem traços que já perderam algum volume. Cabelo comprido e pesado pode “puxar” o rosto para baixo, acentuando linhas finas e flacidez. Um bob de comprimento médio está no ponto certo: emoldura, eleva e aligeira sem gritar “estou a tentar parecer ter 30”.
E adapta-se bem a óculos, aparelhos auditivos, mudanças na linha do maxilar e àquela nova suavidade à volta do pescoço que, mais cedo ou mais tarde, todos acabamos por encontrar ao espelho.
Como usar o “bob rejuvenescedor” sem sentir que está disfarçada
O segredo não é apenas “faça um bob”. São os detalhes. Peça ao seu cabeleireiro um bob que termine entre a parte inferior da orelha e o topo dos ombros, com camadas subtis e um pouco de textura nas pontas - não linhas grossas e rectas.
À volta do rosto, camadas pequenas (quase invisíveis) podem suavizar marcas mais profundas e “levantar” visualmente as maçãs do rosto. Uma risca ao lado suave ou uma franja leve e irregular pode tornar o olhar mais luminoso e a testa menos severa. O objetivo: um corte que possa despentear com os dedos e que volte ao sítio, não um estilo que exija uma hora com escova redonda todas as manhãs.
Sejamos honestos: ninguém faz isso todos os dias. O corte certo perdoa.
Uma armadilha comum depois dos 60 é pedir algo “de baixa manutenção” e sair com um cabelo que parece… de baixo esforço. Há diferença. Muitas mulheres acabam com um corte prático para o cabeleireiro, mas pouco favorecedor para a sua estrutura óssea ou para o seu estilo de vida.
Uma colorista de Londres disse-me que pergunta sempre às novas clientes com mais de 60: “Como é que vive, na prática?” Se nada, faz jardinagem ou viaja muito, o bob tem de conseguir secar ao ar e ainda assim parecer intencional. Se adora pentear e modelar, pode ser ligeiramente mais estruturado. Quando não diz estas coisas em voz alta, pode sair com um cabelo que só fica bem no dia do salão.
Todos já passámos por isso: aquele momento em que sorri educadamente ao espelho… e depois prende o cabelo durante as seis semanas seguintes.
“Esqueça o ‘adequado à idade’”, insiste Marta, uma stylist de 61 anos que cortou o próprio cabelo num bob texturizado após quimioterapia. “Pergunte antes: este corte põe luz no meu rosto? Mexe-se quando eu mexo? Reconheço-me quando levanto os olhos?”
- Peça movimento, não volume: camadas leves e textura impedem que o cabelo assente como um capacete, especialmente se for fino ou estiver a rarear.
- Pense no decote e na gola: um bob que termina exatamente na gola da camisa pode virar de forma estranha. Ajuste um pouco para cima ou para baixo.
- Suavize, não esconda: madeixas delicadas a emoldurar o rosto podem desfocar linhas sem enterrar os traços sob uma franja pesada.
- Planeie a versão para “dias preguiçosos”: diga ao seu cabeleireiro que precisa de uma opção que fique bem apenas com secagem com os dedos e um pouco de produto.
- Leve fotos de mulheres da sua idade: não celebridades aos 30. Inspiração realista e moderna mantém-na fora da zona “datada”.
Para lá do corte: a revolução silenciosa do cabelo depois dos 60
A verdadeira mudança começa quando deixa de perguntar “o que é aceitável para a minha idade?” e passa a perguntar “que corte de cabelo diz a verdade sobre mim hoje?” Esse bob jovem de comprimento médio, tão apreciado por muitos stylists, não é um feitiço. É uma ferramenta. Uma moldura que permite que o seu rosto, a sua personalidade e a sua história apareçam - sem serem abafados por hábitos antigos.
Algumas mulheres combinam-no com um grisalho natural prateado; outras mantêm um loiro quente ou um castanho suave. Algumas usam-no ligeiramente despenteado, outras liso e polido. A questão não é parecer mais nova a qualquer custo. É parecer desperta para a sua própria vida.
O cabelo depois dos 60 pode ser uma revolução silenciosa. Uma ida ao salão em que decide que acabou de representar o papel de “mulher mais velha” escrito por outra pessoa.
| Ponto-chave | Detalhe | Valor para a leitora |
|---|---|---|
| Bob moderno repicado | Comprimento médio, com movimento e camadas leves à volta do rosto | Eleva visualmente os traços e acrescenta um aspeto jovem e dinâmico |
| Personalizado ao estilo de vida | Conversa sobre rotinas, tempo para styling e textura antes de cortar | Reduz frustração diária e mantém o corte “usável” em casa |
| Foco na luz, não na idade | Escolher comprimento, risca e cor que iluminem o rosto | Ajuda a sentir-se mais confiante e “visível” sem parecer artificial |
FAQ:
- Pergunta 1 Um bob é mesmo melhor do que cabelo curto depois dos 60?
- Resposta 1 Nem sempre, mas para muitas mulheres, um bob suave e repicado é mais “perdoante” do que cortes muito curtos. Mantém algum comprimento para emoldurar o rosto e pode disfarçar zonas com menos densidade, mantendo-se leve e fresco.
- Pergunta 2 E se o meu cabelo for muito fino ou frágil?
- Resposta 2 Um bob leve pode, na verdade, fazer o cabelo fino parecer mais cheio, especialmente com camadas subtis e um pouco de texturização. Comprimentos longos e pesados tendem a “puxar” o cabelo fino para baixo. Peça pontas mais direitas, com suavização mínima para não ficar pesado.
- Pergunta 3 Posso manter o meu cabelo grisalho com este corte?
- Resposta 3 Absolutamente. Um bob moderno fica deslumbrante em grisalho natural, sobretudo quando a cor é bem cuidada com produtos que dão brilho. Grisalho + corte atual parece intencional e elegante, não como se tivesse “desistido”.
- Pergunta 4 Com que frequência devo aparar um bob depois dos 60?
- Resposta 4 A maioria dos cabeleireiros sugere de 6 em 6 a 8 em 8 semanas para manter a forma. Se preferir um look um pouco mais crescido, pode estender até 10 semanas, mas depois disso o movimento e as linhas favorecedoras começam a desaparecer.
- Pergunta 5 Que produtos de styling funcionam melhor para um efeito rejuvenescedor?
- Resposta 5 Cremes leves, sprays de volume na raiz e uma quantidade do tamanho de uma ervilha de sérum alisador nas pontas costumam ser suficientes. Ceras pesadas e lacas rígidas tendem a envelhecer o visual, tornando-o duro e demasiado “feito”.
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