Saltar para o conteúdo

É melhor ligar e desligar o aquecimento ou mantê-lo ligado no mínimo?

Pessoa ajusta termóstato na parede, segurando uma chávena, com uma fita métrica ao lado, em sala de estar iluminada.

A chaleira desliga-se com um clique, os radiadores borbulham baixinho, e você está no corredor a pensar se deve subir um pouco o termóstato… ou simplesmente deixá-lo como está. Lá fora, a temperatura desce um pouco mais a cada noite. Cá dentro, a sua fatura da energia fica no fundo da mente como uma carta do banco por abrir.

Provavelmente já ouviu as duas teorias: “Deixa o aquecimento ligado no mínimo, sai mais barato a longo prazo” versus “Desliga sempre que saíres, não desperdices um cêntimo.” Cada lado parece estranhamente certo.

Algures entre os pés gelados e as noites de botija de água quente, fica uma pergunta silenciosa.

Quem é que tem razão?

O que acontece mesmo quando liga e desliga o aquecimento

Comecemos pela cena que a maioria de nós conhece. Sai para o trabalho, baixa o termóstato ou desliga, dá a si próprio os parabéns por ser responsável, e depois volta para uma sala gelada como um frigorífico. Liga o aquecimento no máximo, espera vinte minutos a tremer com o casaco vestido, e sente os radiadores ganharem vida enquanto a caldeira trabalha a todo o gás.

É precisamente neste momento que muita gente diz: “Vês? Essa grande ‘chapada’ deve custar mais do que deixar ligado no mínimo.”

Imagine um pequeno apartamento T2 numa cidade europeia média. A proprietária, a Emma, costumava deixar o aquecimento ligado no mínimo todo o inverno, mantendo a casa num estável 18–19°C, mesmo enquanto estava no escritório. A casa parecia sempre agradavelmente quente, mesmo nas noites em que chegava tarde.

Num inverno, depois de ler sobre os preços da energia, mudou de estratégia. Programou o termóstato para ligar uma hora antes de acordar e uma hora antes de chegar a casa, ficando desligado no resto do tempo. Mesma caldeira. Mesmos radiadores. Estratégia diferente. A fatura do gás desceu cerca de 15–20% ao longo da estação, e mesmo assim ela continuou confortável.

A lógica por trás disto é menos misteriosa do que parece. Uma casa perde calor constantemente para o exterior: através das paredes, janelas, telhado e até do chão. Quanto maior for a temperatura interior comparada com a exterior, mais depressa esse calor escapa.

Por isso, se mantiver a casa quente o dia inteiro, está, na prática, a alimentar essa perda sem parar. Se desligar o aquecimento durante várias horas, a casa arrefece, a diferença de temperatura para o exterior diminui e a “fuga” abranda. Pode precisar de um impulso mais forte depois para aquecer novamente, mas evitou horas de perda de calor suave e contínua. É aí que, normalmente, se escondem as poupanças.

Quando deixar no mínimo faz realmente sentido

Há casos em que deixar o aquecimento ligado no mínimo não é só preguiça - é inteligente. Pense numa casa antiga de pedra no campo, paredes grossas, mau isolamento e janelas de vidro simples que “suspiram” quando o vento lhes bate. Num sítio assim, a temperatura pode cair rapidamente. A própria estrutura arrefece, e é preciso muita energia para voltar a pôr tudo num nível confortável.

Nestas casas, aquecer suavemente o tempo todo pode evitar que o edifício se transforme numa espécie de esponja gigante de frio que tem de reaquecer do zero todas as noites.

Outro exemplo: alguém com doença crónica ou com crianças muito pequenas. Para essas pessoas, a temperatura ambiente não é apenas conforto - é saúde. Um casal reformado com quem falei no inverno passado tinha tentado ligar e desligar o aquecimento durante o dia para “seguir o conselho da internet”.

Em menos de uma semana, um deles desenvolveu uma tosse persistente à medida que a casa oscilava entre frio e quente. Voltaram a uma regulação baixa e constante, aceitaram uma fatura um pouco mais alta e sentiram-se fisicamente melhor. Às vezes, a escolha certa é simplesmente a que mantém as pessoas em casa seguras e estáveis, mesmo que a folha de cálculo diga outra coisa.

Há também a questão da humidade e do bolor. Num clima muito húmido, uma casa completamente sem aquecimento pode ficar “pegajosa”, com condensação nas janelas e um cheiro ligeiro nos roupeiros. O ar quente retém mais humidade e, quando deixa as divisões alternarem entre geladas e demasiado quentes, a condensação pode disparar em superfícies frias.

Em casas antigas ou mal ventiladas, uma temperatura baixa mas estável pode proteger paredes, mobiliário e até os seus pulmões desse ciclo constante de frio e humidade. Portanto, a equação não é apenas energia que entra versus energia que sai. É conforto, saúde, humidade e o desgaste lento e invisível do edifício onde vive.

Como usar o aquecimento sem perder a cabeça (ou o dinheiro)

Uma regra prática funciona para a maioria das casas modernas: aqueça quando precisa, não quando não precisa. Isso normalmente significa usar um termóstato programável. Configure-o para o aquecimento ligar um pouco antes de acordar, baixar quando sai, e voltar a ligar antes de chegar a casa.

Se vai estar fora mais do que algumas horas, reduza a temperatura vários graus em vez de a deixar “só um bocadinho quente”. Para muitas pessoas, uma redução para cerca de 15–16°C quando estão ausentes e 18–20°C quando estão em casa é um bom ponto de partida.

Muitas famílias caem na mesma armadilha: usam apenas uma definição para tudo. Um único botão, uma temperatura “mágica” para dia, noite, trabalho, fins de semana, férias. A vida não funciona assim - e o seu aquecimento também não devia funcionar.

Outro erro comum é “perseguir” o calor com janelas. Sabe o truque: põe os radiadores no máximo, aquece demais a divisão, e depois abre uma janela “só cinco minutos” para arrefecer. É o seu dinheiro a sair para a rua. Uma temperatura de conforto ligeiramente mais baixa e estável ganha a esta montanha-russa quase sempre.

Especialistas em energia repetem frequentemente a mesma ideia, com palavras um pouco diferentes.

“Aqueça as pessoas e os momentos, não as divisões vazias”, diz um engenheiro de edifícios que entrevistei, e que passa os dias a afinar sistemas de aquecimento em edifícios de escritórios e casas de família. “Cada grau que baixa, cada hora que encurta, conta mais do que as pessoas pensam.”

  • Baixe o termóstato 1°C nas áreas de estar: muitos estudos mostram que isto pode reduzir a fatura do aquecimento em cerca de 5–7%.
  • Use temporizadores ou termóstatos inteligentes: tratam da dança de ligar/desligar por si, para não estar sempre a mexer nos controlos.
  • Feche portas e foque-se nas divisões principais: aqueça a sala e os quartos, não quartos de hóspedes ou corredores sem uso.
  • Purgue os radiadores e verifique zonas frias: a caldeira pode estar a trabalhar mais do que precisa se a água não circular bem.
  • Observe os hábitos, não só a caldeira: duches mais curtos, cortinas mais grossas e chinelos podem deslocar silenciosamente a sua “zona de conforto”.

A verdade simples sobre “ligado ou desligado”

Depois de ouvir todas as dicas e teorias, o quadro básico é bastante simples: numa casa moderna com isolamento razoável, baixar ou desligar o aquecimento quando não precisa costuma ganhar. Não por uma margem milagrosa, mas muitas vezes o suficiente para se notar numa fatura de inverno. Isso não significa congelar entre as 9 e as 17. Significa aceitar que a sua sala não precisa de estar acolhedora quando não há ninguém lá.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias com disciplina perfeita. Todos temos domingos preguiçosos com temperaturas tropicais e janelas abertas.

Há também um lado psicológico de que raramente falamos. Muitas pessoas cresceram em casas onde “deixar o aquecimento ligado” era sinal de desperdício, quase uma falha moral. Outras associam divisões frias à infância ou a tempos em que o dinheiro estava perigosamente curto. Estas memórias ficam por trás de cada ajuste no termóstato.

É por isso que a melhor estratégia é muitas vezes aquela com que consegue viver com tranquilidade. Se a sua casa é moderna, isolada e tem um termóstato programável, usar ciclos programados de ligar/desligar ou reduções de temperatura não é radical - é simplesmente usar o sistema como foi pensado para ser usado.

Então, é melhor ligar e desligar o aquecimento ou deixá-lo no mínimo? A resposta aborrecida e do mundo real é: depende da sua casa, da sua saúde e da sua tolerância a um momento ligeiramente mais fresco quando entra pela porta. Quanto mais a sua casa retém calor, mais poupa ao deixá-la arrefecer quando está fora. Quanto mais “fugas” tem, mais faz sentido uma base suave e constante.

O que tende a compensar sempre é perceber a sua própria casa. Ouça a caldeira. Veja quão depressa as divisões arrefecem. Experimente durante um mês e olhe mesmo para a fatura. A resposta certa tem menos a ver com regras e mais com a forma como as suas paredes, janelas e hábitos “dançam” com o inverno.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Baixar a temperatura quando está fora muitas vezes poupa energia Reduzir a temperatura vários graus quando sai diminui a perda contínua de calor Ajuda a reduzir faturas sem sacrificar o conforto quando está em casa
Casas antigas e mal isoladas comportam-se de forma diferente Perdem calor rapidamente e podem ficar muito frias e húmidas se ficarem totalmente sem aquecimento Mostra quando um aquecimento de fundo baixo e constante pode ser mais sensato
Os hábitos importam tanto quanto a eficiência da caldeira Temporizadores, portas fechadas e temperaturas de conforto realistas alteram o consumo Dá aos leitores “alavancas” simples que podem aplicar este inverno

FAQ:

  • É sempre mais barato desligar o aquecimento quando saio? Em casas modernas e isoladas, reduzir a temperatura quando está fora costuma ser mais barato do que manter a casa constantemente quente, sobretudo para ausências superiores a 3–4 horas.
  • Qual é uma boa temperatura quando não estou em casa? Muitas agências de energia sugerem uma redução para cerca de 15–16°C, e depois 18–20°C quando está em casa e acordado, sendo que os quartos muitas vezes ficam bem nos 16–18°C.
  • Devo deixar o aquecimento ligado durante a noite? A maioria das pessoas dorme bem com um pouco mais de fresco, por isso muitos especialistas recomendam baixar o termóstato alguns graus durante a noite em vez de desligar completamente se estiver muito frio lá fora.
  • Ligar e desligar os radiadores estraga o sistema? O ciclo normal de ligar/desligar num sistema de aquecimento central é esperado; usar um programador ou termóstato inteligente é exatamente a forma como a maioria dos sistemas foi concebida para funcionar.
  • E se a minha casa ficar húmida quando desligo o aquecimento? Se notar condensação ou cheiros a mofo, uma base baixa e constante de aquecimento, mais melhor ventilação, pode servi-lo melhor do que grandes oscilações entre muito frio e muito quente.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário