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Jardineiros divididos sobre o bem-estar das aves: especialistas aconselham agir já e sugerem colocar hoje um ingrediente de cozinha de 3 cêntimos para ajudar os pisco-de-peito-ruivo.

Homem ajoelhado no jardim cuidando de uma tigela com comida, perto de um pequeno pássaro vermelho no solo.

Ao fim da tarde, o jardim soa de forma diferente. Os corta-relvas desvanecem-se, as chaleiras ligam-se nas cozinhas vizinhas e, algures na sebe, um pisco-de-peito-ruivo marca o seu chamamento metálico e seco. Repara nesse lampejo acastanhado na vedação, penas eriçadas contra o frio, a cabeça inclinada na direcção do seu pátio como se estivesse a fazer uma pergunta.

Nos grupos locais do Facebook, as discussões estão ao rubro: parem de alimentar aves selvagens vs. alimentem-nas mais do que nunca. Um lado avisa que as estamos a “domesticar até à morte”, o outro publica fotografias de piscos magros e canteiros vazios, a fervilhar de lesmas.

Entretanto, o seu próprio pisco limita-se a ficar ali, a fitar a porta das traseiras fechada enquanto a luz se esvai.

Esta noite, pode muito bem ter a resposta no armário da cozinha.

Jardineiros divididos sobre como ajudar os piscos neste inverno

Percorra qualquer fórum de jardinagem esta semana e verá: pessoas a publicar fotos preocupadas de piscos eriçados, perguntando se parecem “demasiado magros”. Por baixo, as caixas de comentários explodem. Uns juram alimentar duas vezes por dia. Outros dizem que a natureza deve ser deixada a equilibrar-se sozinha.

Essa divisão não é apenas drama online. Atravessa jardins reais também. Um vizinho espalha sementes orgulhosamente três vezes por dia, enquanto a jardineira da porta ao lado diz que baniu os comedouros depois de ler sobre riscos de doenças. O mesmo pisco visita ambas as vedações, apanhado entre duas filosofias.

Algures entre alimentar em pânico e não fazer absolutamente nada, especialistas dizem que há um gesto mais discreto e mais direcionado que ajuda de verdade.

Veja o caso da Fiona, uma jardineira numa casa em banda em Leeds. Observou “o” pisco dela durante todo o Janeiro passado, aos saltinhos debaixo do estendal, bicando sem grande convicção o relvado gelado. Sempre assumira que as aves selvagens “desenrascam-se de alguma forma”.

Depois leu que aves pequenas como os piscos podem perder até 10% do peso corporal numa única noite de gelo. De repente, aquele peito vermelho e fofo já não parecia tão aconchegante, mas sim frágil. Começou a deixar restos de comida num tabuleiro baixo ao anoitecer. Em poucos dias, a mesma ave começou a aparecer como um relógio, trinta minutos antes de escurecer, para se encher antes da longa noite.

Este inverno, mudou um pequeno detalhe: o que coloca, de facto, nesse tabuleiro.

A grande mudança vem de algo que especialistas têm repetido discretamente: os piscos não precisam de comida “qualquer”; precisam de energia densa, rica em gordura, agora. Sementes, por si só, muitas vezes não chegam para estes pequenos caçadores de insectos, sobretudo quando as geadas “trancam” as minhocas de que dependem.

É aqui que um ingrediente barato da prateleira da pastelaria/cozinha passa a importar. Uma ou duas colheradas podem imitar a gordura dos insectos e as texturas macias de que os piscos precisam quando a presa natural desaparece. Não se trata de transformar o seu jardim num restaurante de fast-food para todos os pombos do bairro. Trata-se de oferecer um reforço focado ao fim do dia a uma ave que queima calorias a um ritmo brutal.

Pense menos em “buffet aleatório para aves” e mais em “o último snack seguro antes do turno da noite”.

O ingrediente de 3 cêntimos que os especialistas querem que ofereça esta noite

O herói improvável? Sebo (suet) simples, sem sal, ou banha, esfarelada em pedacinhos do tamanho de uma ervilha. Comprado em bloco básico de supermercado, acaba por custar apenas alguns cêntimos por noite quando parte um cantinho pequeno.

Especialistas em aves recomendam alimentos ricos em gordura há anos, mas o que mudou é a urgência. As vagas de frio são mais erráticas, a vida de insectos em muitos jardins está a diminuir, e os piscos estão a aparecer exaustos nos comedouros já muito depois do anoitecer. Um ritual simples ao crepúsculo pode inclinar a balança.

Pegue numa lasca dessa gordura, esfarele-a entre os dedos e espalhe-a junto ao chão e perto de abrigo: um arbusto, um vaso, um tufo de relva ornamental. O pisco raramente se atira para o meio de um relvado exposto; quer uma rota de fuga rápida se aparecer um gato.

Muita gente receia “fazer asneira” e acabar por prejudicar as aves. Já ouviram histórias de terror sobre pão, sobras salgadas, ou o velho hábito natalício de atirar bolas de recheio. O receio é legítimo. E é também o que paralisa muitos de nós, levando-nos a não fazer nada.

Aqui vai a frase simples e verdadeira: ninguém pesa cada migalha nem toma notas do que deu na terça-feira.

O que importa é evitar alguns erros grandes. Não use gordura salgada ou aromatizada. Não misture com pão seco que pode inchar no papo da ave. E não coloque uma montanha de comida que fique ali a noite toda, a ficar rançosa ou a atrair ratos. Um pequeno punhado fresco ao anoitecer chega.

Todos já passámos por isso: aquele momento em que abrimos a porta das traseiras, a mão suspensa, a perguntar-nos se este pequeno gesto muda mesmo alguma coisa.

Os especialistas dizem que sim. Reabilitadores de fauna selvagem já viram a diferença que uma refeição tardia pode fazer em aves no limite, que “estão a aguentar por um fio”.

“As pessoas imaginam que os piscos são resistentes porque ficam todo o inverno”, diz a Dra. Emily Shore, ecóloga de vida selvagem urbana. “Na realidade, vivem à beira do abismo na maioria das noites. Uma fonte concentrada de gordura antes do anoitecer pode ser a diferença entre acordar com fome e não acordar de todo.”

Não precisa de uma montagem complicada para começar. Experimente esta lista simples:

  • Ofereça sebo (suet) simples, sem sal, ou banha, esfarelado em pedaços do tamanho de uma ervilha.
  • Coloque junto ao chão e perto de abrigo, não num comedouro alto e oscilante.
  • Disponibilize na hora antes do pôr do sol e retire quaisquer sobras até meio da manhã.
  • Limpe a área de alimentação regularmente para limitar a acumulação de doenças.
  • Mantenha os gatos dentro de casa ao crepúsculo sempre que possível, sobretudo em noites de geada.

Debaixo da linha da vedação, uma decisão silenciosa sobre de que lado está

Quando começa a observar a sério, a rotina nocturna do seu pisco torna-se impossível de ignorar. As olhadelas rápidas sobre o relvado. Os saltos nervosos na direcção do pátio. A forma como cronometria a visita mesmo quando está a fechar as cortinas e a acender as luzes.

Afinal, esta ave pequena e familiar está no centro do nosso desconforto mais amplo com a ideia de “mexer” na natureza. Se alimentarmos demais, tememos dependência, doença, ecossistemas desequilibrados. Se não alimentarmos nada, observamos uma forma eriçada na vedação, fingindo que não nos importamos. Algures entre estes dois pólos existe uma escolha suave e diária: uma colher de gordura, um bocado de chão limpo, alguns minutos de atenção.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Alimentação direcionada Ofereça pequenas quantidades de sebo (suet) simples ou banha ao crepúsculo, perto de abrigo Dá aos piscos um impulso energético crucial antes das horas mais frias da noite
Evitar erros comuns Sem sal, aromatizantes, pão, ou grandes montes de comida velha Reduz riscos de doença, dependência e pragas indesejadas
Hábito diário simples Ritual de dois minutos, 3 cêntimos de gordura de cozinha, limpeza básica do local Transforma a preocupação em ação prática que ajuda realmente a vida selvagem local

FAQ:

  • Pergunta 1 Posso usar qualquer gordura da minha cozinha, como o pingue de um assado?
  • Pergunta 2 É seguro alimentar os piscos todos os dias no inverno?
  • Pergunta 3 E se outras aves - ou até ratos - começarem a levar o sebo?
  • Pergunta 4 Devo parar de alimentar na primavera quando os insectos voltarem?
  • Pergunta 5 O meu pisco parece eriçado e sonolento. Isso é sempre mau sinal?

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