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O seu relvado transforma-se num lamaçal no inverno? Veja o que os jardineiros fazem para evitar isso.

Homem ajoelhado no jardim, preparando a terra com ferramentas ao lado de um saco e balde.

Em todo o Reino Unido e em grande parte dos EUA, muitos proprietários veem os seus relvados transformarem-se em lama a cada inverno, assumindo que “é assim mesmo”. Jardineiros profissionais discordam, discretamente. Com algumas medidas específicas antes e durante a estação fria, conseguem manter a relva pisável, mais ou menos verde, e muito menos encharcada.

Porque é que o inverno transforma o relvado num lamaçal

Quando a relva vira papa, o tempo é apenas parte da história. A chuva forte é o gatilho, não a causa completa. Os verdadeiros problemas costumam estar escondidos logo abaixo da superfície.

A maioria dos relvados lamacentos junta três fatores: solo compactado, drenagem fraca e demasiado pisoteio em condições húmidas.

Solos argilosos ou muito finos retêm a água em vez de a deixarem escoar. Quando pessoas e animais de estimação passam repetidamente nos mesmos sítios, as partículas do solo ficam mais comprimidas. Essa compactação elimina as bolsas de ar, pelo que a água fica à superfície em vez de infiltrar. As raízes da relva passam a ter dificuldades, enfraquecem e acabam por recuar, deixando zonas nuas que se transformam em lama à primeira chuvada.

Jardins com sombra estão especialmente expostos. Menos luz solar significa menos evaporação. A água permanece por mais tempo, o musgo alastra e as lâminas de relva que restam não conseguem acompanhar os estragos.

Como os jardineiros corrigem a drenagem antes do inverno

Jardineiros experientes raramente aceitam uma drenagem deficiente como uma maldição permanente. Tratam o relvado mais como uma esponja viva que precisa de ser reconstruída por dentro.

Arejar o solo: buracos simples, grandes resultados

O primeiro passo de muitos profissionais é a aeração. Isto significa fazer muitos pequenos furos no tapete de relva para que o ar e a água possam descer até à zona das raízes.

  • Em relvados pequenos: um garfo de jardim ou um arejador manual, espetado a cada 10–15 cm
  • Em relvados maiores: um arejador mecânico que extrai pequenos “tampões” de solo
  • Frequência: uma a duas vezes por ano, muitas vezes no outono ou no início da primavera

Depois de feitos os furos, estes são frequentemente preenchidos com areia ou com uma mistura de cobertura (topdressing) arenosa. Isto vai alterando suavemente a estrutura do solo ao longo do tempo, ajudando a água a atravessar em vez de ficar parada à superfície.

Fazer furos e escovar areia para dentro parece básico, mas em poucas épocas pode transformar um relvado húmido e pesado.

Alimentar o solo com matéria orgânica

Os jardineiros também se concentram na composição do solo. Uma camada fina de composto, húmus de folhas (leaf mould) ou estrume bem curtido, espalhada sobre o relvado e ligeiramente escovada, pode abrir gradualmente um solo denso e pegajoso.

A matéria orgânica ajuda a criar uma estrutura mais grumosa e solta. Incentiva minhocas e microrganismos, que por sua vez escavam os seus próprios túneis minúsculos. Esses túneis funcionam como canais naturais de drenagem, conduzindo o excesso de água para baixo e afastando-o da superfície.

Soluções rápidas para as zonas “onde a bota fica presa”

Nem todos os problemas podem esperar anos pela melhoria do solo. Perto de portões, portas de pátio, arrecadações ou equipamentos de brincadeira, a lama torna-se muitas vezes um incómodo diário no inverno.

Usar materiais absorventes após chuva intensa

Quando a situação está mesmo má, os jardineiros recorrem por vezes a medidas temporárias. Espalham materiais que absorvem água e dão aos pés uma superfície mais firme.

  • Areia grossa para melhor drenagem e aderência
  • Gravilha fina para trilhos e zonas de entrada
  • Aparsa/estilha de madeira ou casca em zonas de brincadeira ou percursos do cão

Não são reparações permanentes, mas compram tempo. Reduzem o revolvimento do solo enquanto o trabalho de drenagem mais profundo e a melhoria do solo começam a produzir efeito.

Pense em areia, gravilha e casca como muletas: ajudam a andar agora, enquanto o relvado se vai regenerando por baixo.

Percursos resistentes: grelhas, pedras de passo e caminhos

Onde as pessoas caminham sempre no inverno, os jardineiros profissionais muitas vezes deixam de tentar manter um relvado “puro”. Em vez disso, criam percursos claros e duráveis que protegem o resto da relva.

Grelhas estabilizadoras para zonas encharcadas

As grelhas plásticas estabilizadoras, muitas vezes usadas em picadeiros ou zonas de estacionamento, estão a tornar-se comuns em jardins lamacentos. Encaixam entre si sobre uma base preparada e são preenchidas com gravilha, areia ou até terra e semente de relva. A grelha distribui o peso, pelo que o solo por baixo não se desfaz nem se revolve.

Em espaços mais pequenos, os jardineiros podem preferir uma solução mais leve: um simples caminho de gravilha ou uma faixa de casca de madeira até à arrecadação ou ao local dos caixotes do lixo mantém os sapatos limpos e a relva intacta.

Pedras de passo para um acesso mais elegante

“Passos japoneses” ou lajes de pavimento colocadas ao longo de um trajeto oferecem uma forma seca de atravessar o jardim, mantendo um aspeto decorativo.

Passo O que os jardineiros fazem
1. Marcar o percurso Colocar as pedras primeiro sobre a relva para testar o espaçamento e o conforto ao caminhar.
2. Escavar rebaixos pouco profundos Remover cerca de 8–10 cm de solo onde cada laje vai assentar.
3. Adicionar uma cama de areia Encher com areia ou gravilha fina e nivelar para estabilidade e drenagem.
4. Assentar e ajustar Colocar as pedras, bater para firmar e garantir que ficam ligeiramente acima do nível da relva.

Esta mudança simples reduz drasticamente o desgaste do tapete e diminui muito a lama nas zonas de entrada e saída da casa.

Aliados na plantação: árvores e plantas que “bebem” água

Alguns jardineiros seguem uma via mais ecológica. Em vez de lutar contra a água, usam plantas que prosperam com ela e ajudam a absorvê-la.

Árvores e arbustos com grande consumo de humidade podem funcionar como bombas naturais, retirando litros de água do solo todos os dias.

Espécies como salgueiros, amieiros, choupos e algumas bétulas lidam muito melhor com solos húmidos do que muitas árvores ornamentais. Em jardins maiores, um pequeno grupo destas árvores no canto mais baixo pode secar lentamente um local persistentemente encharcado.

Mais perto da casa, gramíneas tolerantes à humidade, ciperáceas (sedges) e perenes floríferas podem substituir parte de um relvado que nunca se comporta bem. Isto cria uma área ao estilo de “jardim de chuva” que recolhe o escoamento e mantém o relvado principal mais seco.

Hábitos que os jardineiros mudam para evitar lama no futuro

As técnicas, por si só, não chegam. Jardineiros profissionais também ajustam a forma como o espaço é usado no inverno.

  • Manter os jogos de futebol das crianças numa zona “de sacrifício” ou numa superfície dura quando o solo está saturado
  • Alternar os percursos de acesso do cão com vedação temporária, para que uma faixa de relvado possa recuperar
  • Cortar a relva ligeiramente mais alta no outono, para que as raízes se mantenham mais fortes e resilientes
  • Evitar cortar a relva ou ter tráfego intenso quando o solo está mole e encharcado

Quanto menos um relvado húmido for pisoteado, mais facilmente recupera quando o tempo melhora.

Em jardins que inundam ano após ano, os especialistas por vezes sugerem instalar um dreno de terreno simples: uma vala pouco profunda preenchida com gravilha e um tubo perfurado que conduz a água para um poço de infiltração. Dá mais trabalho e normalmente requer planeamento, mas pode salvar um relvado que, de outra forma, nunca secaria.

Como isto se traduz na vida real

Imagine um pequeno jardim suburbano em Manchester ou em New Jersey. Solo argiloso, um cão, duas crianças e um portão que vira lodo todos os janeiros. Um jardineiro poderia propor este plano simples:

  • Outono: arejar todo o relvado e escovar areia e composto.
  • Início do inverno: criar um caminho de casca de madeira da porta das traseiras até à arrecadação.
  • Semanas mais húmidas: manter os jogos com bola fora do relvado e usar antes o parque local.
  • Primavera: ressemear as zonas ralas com uma mistura de relva resistente e repetir a aeração.

No inverno seguinte, o relvado não será perfeito, mas a pior lama terá desaparecido. A cada ano, a repetição da aeração e a adição de matéria orgânica constroem gradualmente um tapete mais forte e mais seco.

Termos úteis em que os jardineiros confiam discretamente

Duas expressões costumam confundir quem está a lidar com um lamaçal. A primeira é “compactação do solo” - isto significa simplesmente que as partículas do solo foram pressionadas tão juntas que os espaços de ar desaparecem. Sem esses espaços, a água não tem para onde ir, as raízes não conseguem respirar e a lama aparece rapidamente. Cavar com garfo, arejar e adicionar matéria orgânica atacam diretamente este problema.

A segunda é “capacidade de drenagem”. É a velocidade a que um determinado solo permite que a água se mova para baixo através dele. A areia tem alta capacidade; a argila pesada tem baixa capacidade. Quando passa a olhar para o relvado dessa forma, as soluções começam a fazer sentido: os jardineiros procuram sempre aumentar essa capacidade, seja alterando a mistura do solo, acrescentando plantas que consomem mais água, ou criando rotas físicas de escape para o excesso de água.

Para famílias a ponderar custos, há também um equilíbrio a encontrar. Ações simples como aeração, casca de madeira e planeamento de percursos custam pouco e podem ser feitas num fim de semana. Medidas maiores, como sistemas de drenagem ou plantação de árvores, trazem alívio a longo prazo, mas exigem mais planeamento e, por vezes, aconselhamento profissional. Combinar ambos os níveis, como muitos jardineiros fazem, é geralmente o que transforma aquele campo de lama de inverno de volta em algo onde, de facto, se consegue andar.

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