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Quem gosta de natação ou Pilates talvez não queira ouvir isto: há uma atividade muitas vezes ignorada que pode ser mais segura e eficaz para joelhos problemáticos.

Mulher madura a levantar pesos guiada por treinador numa academia bem iluminada.

Terça-feira à noite na piscina, a pista rasa está cheia. Uma fila de pessoas espera por uma vaga na aula de hidroginástica. No mezanino, o estúdio de Pilates brilha suavemente, com os tapetes alinhados como um exército zen. Os treinos “amigos do joelho” estão esgotados, as passadeiras lá em baixo quase vazias.

Dá para identificar os maus joelhos à distância: ortóteses de neoprene por baixo dos fatos de banho, descidas cuidadosas do reformer, aquele pequeno esgar quando acham que ninguém está a ver.

Nadar é a escolha segura. Pilates é a escolha inteligente. Toda a gente concorda com isso.

E, no entanto, há uma atividade discreta, a poucos metros do ruído, que supera calmamente as duas quando o assunto são articulações frágeis.

E é precisamente aquela de que quase ninguém quer ouvir falar.

O surpreendente aliado “low-tech” para joelhos problemáticos

Entre em qualquer ginásio numa manhã de dia útil e verá o mesmo padrão. As bicicletas estão ocupadas, a fila das elípticas está a meio, a piscina lá em baixo fervilha de habituais, e o estúdio de Pilates está cheio. Ali num canto, um punhado de pessoas está a fazer algo que parece quase aborrecido: treino de força lento e controlado.

Sem música aos berros. Sem rolos de espuma. Sem velas perfumadas.

Apenas uma pessoa, dois halteres, um banco e uma determinação teimosa de dobrar e esticar os joelhos, repetidamente, sem drama. Não parece magia. Mas, para muitas articulações doridas e rangentes, é aqui que acontece, em silêncio, a verdadeira viragem.

Veja-se a Sophie, 46 anos, ex-corredora, agora adepta de “tudo aquático” depois de um episódio complicado de dor patelofemoral. A fisioterapeuta disse-lhe que precisava de voltar a carregar as pernas. “Não é só flutuar. Não é só alongar. É carregar.”

Resistiu durante meses. Nadar parecia seguro. Pilates parecia suave e alinhado. O rack de agachamento parecia um sítio onde os joelhos iam morrer.

Depois, um dia, farta da dor nas escadas, começou com um peso ridículo: dois halteres de 3 kg, a fazer sentar-e-levantar a partir de uma caixa alta. Três séries, duas vezes por semana. Oito semanas depois, subiu as escadas do metro sem pensar nos joelhos, pela primeira vez em dois anos.

A piscina não tinha feito isso por ela. O reformer também não.

A atividade ignorada não é glamorosa: treino de força progressivo, devidamente orientado. Não à estilo culturista. Não bootcamps punitivos. Apenas trabalho de resistência direcionado, que vai ensinando lentamente as suas articulações a tolerar a vida outra vez.

Natação e Pilates são gentis com joelhos doridos porque reduzem a carga ou redistribuem-na. Esse é o encanto. Mas as articulações não precisam só de gentileza; precisam de capacidade. Precisam de ser treinadas para aguentar, empurrar, ficar de pé, subir, levantar-se do chão.

Sem esse tipo de estímulo, cartilagem, tendões e músculos fazem o que todos os tecidos pouco usados fazem: perdem espessura, perdem força, perdem confiança. A verdade nua e crua é que a opção “mais segura” a curto prazo, por vezes, transforma-se silenciosamente na mais arriscada a longo prazo.

Como levantar peso com joelhos problemáticos sem os estragar

Para joelhos sensíveis, a porta de entrada no treino de força é surpreendentemente simples. Comece por movimentos que já faz no dia a dia: sentar e levantar, subir para cima de algo, inclinar-se para a frente para apanhar um saco. Depois acrescente um pouco de resistência e um pouco de estrutura.

Um modelo para iniciantes pode ser apenas três movimentos, duas vezes por semana:
sentar-e-levantar leve a partir de uma cadeira alta, step-ups com apoio num degrau baixo, e uma dobradiça da anca (hip hinge) com pouco peso junto ao corpo.

O ingrediente mágico não é o nome do exercício. É a escala de dor e a progressão. Durante e após a sessão, o desconforto no joelho deve manter-se na faixa “1–3 em 10” e acalmar em 24 horas. Se não acalmar, reduz-se a carga ou a amplitude. Essa pequena fronteira é o seu corrimão de segurança.

A maioria das pessoas com problemas no joelho não falha por preguiça. Falha porque assusta-se. Uma repetição má, uma picada mais aguda, e voltam à piscina para sempre.

Já todos passámos por isso: aquele momento em que um agachamento esquisito o convence de que a sua cartilagem tem a integridade estrutural de uma bolacha. O medo cola-se. Fica mais preso à memória do que as dezenas de repetições sem dor que fez antes.

Então mexe-se com timidez, joelhos bloqueados, peso nos dedos dos pés, respiração presa. Ironicamente, esse estilo “defensivo” é o que magoa. Quanto mais se contrai para “proteger” as articulações, menos os músculos absorvem carga e mais a própria articulação leva o impacto. A forma mais gentil muitas vezes parece mais confiante: pés assentes, descida lenta, expiração completa.

“O treino de força devolveu-me opções”, diz o Marc, 52 anos, que passou três anos a fazer apenas natação por causa de joelhos com artrose. “A piscina mantinha-me a mexer, o que eu adorava, mas não me ajudava a pegar no meu neto ou a aguentar um concerto em pé. Quando comecei a carregar as pernas, de forma suave mas regular, a vida diária deixou de parecer um desporto perigoso.”

  • Comece com peso corporal ou resistência muito leve
  • Treine 2–3 vezes por semana, não todos os dias
  • Mantenha a dor ligeira e de curta duração, não “heroica”
  • Priorize controlo lento em vez de grande amplitude
  • Progrida apenas 5–10% de cada vez, sem saltos grandes

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Duas vezes por semana, de forma consistente durante seis meses, vence o programa perfeito abandonado depois de uma picada assustadora.

Repensar o que “amigo do joelho” realmente significa

Não há nada de errado em adorar a água ou o seu tapete de Pilates. Podem ser âncoras, rituais, até pequenas férias semanais da história do seu corpo. Mas, se os seus joelhos continuam a queixar-se nas escadas, continuam a protestar depois de uma ida ao supermercado, falta qualquer coisa.

“Amigo do joelho” não significa apenas “isto não dói durante a aula”. Também significa “isto prepara-me para as partes difíceis da vida quando ninguém está a contar as minhas repetições”. Essa é a promessa silenciosa do treino de resistência quando é feito com curiosidade em vez de ego.

Não tem de abdicar da sua pista na piscina nem do seu lugar no reformer. Pode apenas precisar de abrir 25 minutos, duas vezes por semana, ao lado do rack de pesos por onde antes passava sem olhar. O canto esquecido do ginásio - ou o par de halteres debaixo da cama - pode acabar por fazer mais pelas suas articulações do que toda a luz suave e água morna combinadas.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
A força progressiva vence o “só gentil” O treino de resistência estruturado constrói capacidade articular em vez de apenas reduzir carga Ajuda a caminhar para menos crises e mais liberdade no dia a dia
As orientações de dor importam Mantenha o desconforto na faixa 1–3/10 e com curta duração após as sessões Dá-lhe um enquadramento claro de segurança para não entrar em pânico e desistir
Consistência acima da perfeição 2–3 sessões curtas por semana durante meses superam esforços intensos e esporádicos Torna o processo realista e sustentável para rotinas ocupadas do mundo real

FAQ:

  • A natação é má para os joelhos se eu só fizer isso? A natação não é má; é apenas incompleta. É ótima para cardio e conforto, mas sem alguma carga em terra, os joelhos não desenvolvem a força necessária para escadas, subidas e transportar coisas.
  • O Pilates por si só consegue proteger os meus joelhos a longo prazo? O Pilates melhora controlo, mobilidade e alinhamento, o que ajuda. Se as suas aulas forem sobretudo leves e de baixa carga, provavelmente ainda vai precisar de trabalho extra de força para lidar com tarefas diárias mais pesadas sem dor.
  • O treino de força danifica joelhos com artrose? A investigação atual sugere o contrário quando é feito de forma progressiva. Um treino de resistência bem doseado pode reduzir a dor e melhorar a função na osteoartrose ao fortalecer os músculos que suportam a articulação.
  • E se os meus joelhos doerem durante agachamentos? Altere as variáveis: aumente a altura do assento, reduza a profundidade, abrande o movimento ou mude para sentar-e-levantar com apoio. Muitas vezes não é o agachamento em si, mas a amplitude, a velocidade ou a carga que precisa de ajuste.
  • Preciso de um personal trainer para isto? Não necessariamente, embora algumas sessões com alguém que compreenda dor articular possam acelerar a aprendizagem. Muitas pessoas começam bem com movimentos simples em casa, seguindo orientações claras de dor e progressão.

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