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Todos estão a comprar novas lenhas que quadruplam o calor das lareiras e fogões.

Mãos segurando vela artesanal em mesa de madeira com plantas e instrumentos de medição ao fundo.

As os preços da energia se mantêm imprevisíveis e os invernos parecem mais longos, as pessoas estão a repensar a forma como aquecem as suas casas. Um novo tipo de lenha industrializada, feita a partir de resíduos de madeira comprimidos, está subitamente em alta procura, com retalhistas a reportarem picos nas vendas e clientes a afirmarem que os seus recuperadores nunca pareceram tão potentes.

O que são estes novos “super troncos” de que toda a gente fala?

O produto por detrás desta súbita febre não é um combustível futurista, mas sim uma versão muito densa e muito seca de madeira: troncos comprimidos, também conhecidos como troncos densificados ou reconstituídos. São feitos de serradura, aparas de madeira e outros subprodutos da indústria madeireira, prensados sob enorme pressão, sem aglutinantes químicos.

Esta compressão intensa cria troncos uniformes, em forma de “tijolo” ou cilíndricos. São pequenos, pesados para o seu tamanho, e secos até ao núcleo. Essa combinação altera radicalmente a forma como ardem quando comparados com um tronco tradicional rachado de uma pilha de lenha.

Um tronco comprimido pode libertar tanto calor útil quanto três a quatro troncos tradicionais, segundo testes laboratoriais dos fabricantes e feedback de utilizadores.

Isto não significa que o seu recuperador passe a ser quatro vezes mais potente “ao carregar num botão”. Significa, antes, que para o mesmo volume que coloca no cesto ou no abrigo, pode obter até quatro vezes mais energia térmica, graças a uma densidade maior e a uma humidade mais baixa.

Porque é que parecem muito mais quentes do que a lenha normal

Baixa humidade, grande impacto

O fator-chave é a água. A madeira recém-cortada pode conter até metade do seu peso em humidade. Mesmo lenha bem seca ao ar (curada) fica muitas vezes nos 20–30% de teor de humidade. Os troncos comprimidos descem tipicamente abaixo dos 10%.

  • Menos água no tronco significa menos energia desperdiçada a evaporar humidade.
  • Mais energia do combustível é convertida em calor efetivo para a divisão.
  • A chama arde com mais brilho e de forma mais limpa, com menos fumos visíveis.

Na prática, isso significa que o recuperador atinge a temperatura de trabalho mais depressa e mantém-na por mais tempo, mesmo com menos peças de combustível.

Uma densidade que muda a combustão

O segundo fator é a densidade. Quando a serradura e as aparas são prensadas sob alta pressão, ficam com muito mais fibras de madeira por centímetro cúbico do que um tronco rachado, que tem espaços de ar e formas irregulares.

Essa densidade tem consequências reais:

  • O tronco arde de forma estável, em vez de “inflamar” e colapsar rapidamente.
  • Liberta calor durante mais tempo, com um padrão mais previsível.
  • Pode manter uma boa cama de brasas que conserva o recuperador quente durante horas.

Com combustível denso e muito seco, muitos utilizadores referem que o vidro do recuperador fica mais limpo e o padrão da chama se torna mais estável.

Benefícios práticos no dia a dia

Lareiras mais limpas, menos cinza

Os troncos comprimidos deixam menos cinza do que a lenha tradicional para uma produção de energia equivalente. Em geral, também se forma menos fuligem e alcatrão na chaminé, desde que o recuperador seja usado corretamente e não seja sobrecarregado.

Isto traz dois benefícios imediatos: passa menos tempo a limpar a câmara de combustão e as limpezas à chaminé podem revelar menos depósitos, o que pode reduzir o risco de incêndios na chaminé.

Ganhos de armazenamento que fazem diferença em casas pequenas

Como estes troncos são tão densos, a equação do armazenamento muda. Um metro cúbico de troncos comprimidos pode equivaler aproximadamente ao calor produzido por cerca de quatro metros cúbicos de lenha normal, bem seca.

Tipo de combustível Humidade aprox. Calor por metro cúbico (relativo) Necessidades de armazenamento
Lenha verde (recém-cortada) Até 50% Baixo Muito espaço, precisa de secar
Lenha seca ao ar (curada) 20–30% Médio Espaço moderado, elevada e ventilada
Troncos comprimidos Abaixo de 10% Alto (até ×4) Muito menos espaço, pronta a arder

Para agregados urbanos com um pequeno anexo ou um canto da garagem, este é um grande argumento de venda. Paletes de troncos comprimidos chegam envolvidas em película retrátil, limpas e uniformes, sem casca, insetos ou bolor.

Como usar troncos comprimidos sem danificar o recuperador

Como acender o fogo

Acender estes blocos densos é ligeiramente diferente de montar um fogo rústico com lenha normal. Precisam de uma boa base de chama antes de mostrarem todo o seu desempenho. Uma sequência típica é:

  • Coloque dois ou três acendalhas ou cubos de acendimento no centro do recuperador ou da lareira.
  • Adicione um pequeno tronco comprimido partido em pedaços, ou algumas aparas/lenha fina bem seca por cima.
  • Acenda as acendalhas e deixe as entradas de ar totalmente abertas para um fluxo de ar forte.
  • Quando a chama estiver viva e o corpo do recuperador começar a aquecer, coloque um ou dois troncos comprimidos inteiros sobre as brasas.

Depois disso, ajuste as entradas de ar para evitar sobreaquecimento. Muitos proprietários subestimam quão intenso o calor pode tornar-se com estes combustíveis, sobretudo em aparelhos mais pequenos.

Vigie a temperatura, não apenas as chamas

Um termómetro de recuperador torna-se quase obrigatório ao usar lenha de alto desempenho, ajudando a evitar empenar metal ou rachar tijolos refratários.

Os fabricantes normalmente indicam se os seus recuperadores são compatíveis com troncos comprimidos ou outros combustíveis manufaturados. Exceder os níveis de carga recomendados ou manter o recuperador “ao rubro” durante muito tempo pode danificar vedantes, defletores e vidro.

Em lareiras abertas, a principal preocupação não é tanto o corpo do aparelho, mas sim a chaminé e os materiais envolventes. Usar uma rede/guarda de proteção, manter o mobiliário a uma distância segura e nunca deixar o fogo sem vigilância continuam a ser regras básicas de segurança.

Perspetivas ambientais e económicas

De resíduos de serração a calor constante

Os troncos comprimidos pegam no que antes era um problema - montes de serradura e aparas - e transformam-no num combustível útil e estável. Em vez de enviar estes resíduos para aterro ou queimá-los de forma ineficiente no local, os fabricantes processam-nos num produto controlado, com desempenho previsível.

Como ardem de forma eficiente e contêm pouca humidade, podem emitir menos partículas finas e poluentes do que madeira húmida colocada diretamente no recuperador. Isto importa em vilas e cidades onde o nevoeiro invernal e as emissões de aparelhos a lenha estão sob escrutínio crescente.

Custo por quilowatt-hora, não por saco

À primeira vista, um pacote de troncos comprimidos parece muitas vezes mais caro do que uma rede de lenha tradicional. A conta muda quando se olha para a produção de calor em vez do volume.

Quando se calcula o custo por quilowatt-hora de calor, os troncos comprimidos podem comparar favoravelmente com a lenha normal, especialmente se a sua lenha atual estiver apenas parcialmente seca ou se pagar um prémio por entregas pequenas e frequentes.

Quando estes troncos fazem sentido - e quando não

Os troncos comprimidos tendem a adequar-se a pessoas que:

  • Têm pouco espaço de armazenamento, mas querem um aumento sério de aquecimento num recuperador pequeno.
  • Usam o fogo como fonte principal ou frequente de calor durante o inverno.
  • Preferem combustível limpo e embalado a manusear lenha enlameada e com insetos.

Podem ser menos apelativos se tiver acesso a madeira própria e gostar de cortar, rachar e secar lenha em casa. Nesse caso, o principal custo é o tempo e o equipamento, não a compra do combustível.

Termos-chave e cenários reais

Alguns termos ajudam a compreender as afirmações sobre “quatro vezes mais calor”:

  • Teor de humidade: percentagem de água no combustível. Menos humidade significa que mais energia é convertida em calor útil.
  • Densidade energética: quanta energia está armazenada por unidade de volume ou de peso. Troncos mais densos e mais secos transportam mais energia num espaço menor.

Imagine duas moradias geminadas, ambas com um recuperador a lenha de 5 kW. Um proprietário alimenta-o com lenha seca ao ar, mas não perfeita. O outro muda para troncos comprimidos a meio do inverno. O segundo agregado pode perceber que só precisa de carregar o recuperador metade das vezes para manter a mesma temperatura na sala e que consegue baixar ligeiramente o termóstato do aquecimento central, reduzindo a fatura do gás ou da eletricidade.

Há compromissos. Mais calor significa maior risco de sobreaquecer a divisão ou o aparelho se colocar demasiados troncos de uma vez. Pessoas com problemas respiratórios continuam a precisar de atenção à ventilação e às regras locais de qualidade do ar, já que nenhum combustível sólido é totalmente isento de emissões.

Alguns agregados combinam combustíveis: acendem o fogo e criam uma chama acolhedora com dois troncos normais e depois usam um tronco comprimido como “reforço de calor” nas noites mais frias. Esta abordagem mista pode oferecer conforto, controlo de custos e uma curva de aprendizagem mais suave para quem está receoso de mudar totalmente para um combustível mais quente e concentrado.

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